Como consegui entrar na empresa dos meus sonhos!

Esse artigo é para você que se formou em Ciência da Computação no Brasil e sonha em vir para o Vale do Silício para trabalhar para uma empresa como Apple, Google e Facebook. Esse artigo também é para você que já está no Vale e que ainda não conseguiu um emprego na área “tech” em uma empresa de grande porte.

Eu estou partindo do princípio que você tem um inglês intermediário e que já tem experiência de trabalho em Computação no Brasil.

Eu vou entrevistar uma amiga que saiu do Brasil há 12 anos para estudar/trabalhar no Vale do Silício e que hoje é Engenheira Sr. de Computação na Apple. Quando chegou aos EUA, ela já tinha 4 anos de experiência de trabalho no Brasil e tinha seu bacharelado. Ela chegou e logo começou a estudar. Ela se especializou em Gerência de Projetos, Operações de Inteligência e em “Cybersecurity”.

Pergunta: Por quê “Cybersecurity”? Essa é uma área mais em demanda no Vale do Silício ou foi somente uma preferência sua?

Resposta: Cybersecurity é uma necessidade não só no Vale do Silício, mas no mundo todo. Nos anos 70, houve uma grande motivação para o uso da Internet como meio de comunicação e nos anos 80 começamos a ver grandes resultados dessa evolução com o uso comercial de laptops, computadores pessoais, telefones celulares, etc. Tudo isso foi inventado sem muita ênfase em segurança. A Internet foi inicialmente desenvolvida pelo militarismo Americano durante a Segunda Guerra Mundial motivado pela necessidade de comunicação e as Universidades Americanas aprimoraram o serviço de conversa ponto-a-ponto, mas tudo isso sem priorizar a segurança. Existiam, e ainda existem, vulnerabilidades no uso da Internet. Por exemplo: desligar o javascript do browser pode trazer vulnerabilidades sérias ao código. Outro exemplo é intercepção. As conversas podem ser facilmente interceptadas no DNS (Domain Name System) durante uma comunicação de um ponto A para o um ponto B. Hoje em dia, a evolução da tecnologia, a necessidade de se proteger contra o roubo de identidade, a prevenção de atos terroristas e cyber espionagem, tornaram “cybersecurity” não apenas um luxo, mas uma necessidade vital para todos os ramos da technologia. Isso abrange os setores médico, militar, comercial, político, universitário, económico, financeiro, transporte, produção, etc.

Pergunta: Qual o conselho que você daria para um profissional de Ciência da Computação que se formou no Brasil?

Resposta: Eu sempre parti do princípio que eu tinha que escolher algo único, algo que poucas pessoas faziam. No Brasil, quando trabalhamos com Informática, nós somos incentivados a primeiro trabalhar na nossa área e a ter muitos anos de experiência em teste e depois a passar para a área de desenvolvimento, depois design, análise e somente depois de muitos e muitos anos de experiência, ter a chance de trabalhar com gerência de projetos. Eu sempre fui contra essa ditadura e achava injusta essa regra imposta pela sociedade e gerentes de empresa. Nós temos que ser os donos das nossas carreiras. Não podemos deixar pessoas de fora dominar e determinar qual caminho vamos seguir. Temos que trabalhar com os nossas “strengths”, com aquilo que sabemos que fazemos bem, e gostamos de fazer, independente de regras. Todos podem ser excelentes gerentes de projeto dentro de seus times, todos podem ser excelentes designers, analistas e programadores. Nós é que devemos impor os nossos próprios limites. O meu conselho principal é: tenha opinião própria, siga a sua intuição, o seu coração, e não aceite tudo o que tentam impor a você. Desafie o “status quo”, questione, pergunte o “por quê”, não se sinta satisfeito com respostas incompletas, vagas, e sem base concreta. Os grandes homens do mundo como Martin Luther King, Steve Jobs, Albert Einstein, Nelson Mandela e muitos outros questionaram o sistema, e não aceitaram o que a sociedade lhes imporam. Eles lutaram contra o sistema, mas no final valeu a pena. Grandes visionários sofrem e pode demorar, mas eles acabam fazendo a diferença não só para si próprios, mas para toda uma geração. Confie no que você acredita ser certo e tenha opinião própria sobre aonde você quer chegar pessoalmente e profissionalmente. Mesmo que pareça difícil, tudo é possível com determinação, diligência, dedicação e muitos, muitos sonhos altos. Era impossível para mim, muita gente me desencorajou e me criticou por eu ter ideias “revolucionárias” e por não seguir as regra. Hoje, minha carreira demonstra que ser revolucionário não é um defeito e sim uma virtude. Não podemos nos limitar ao Brasil. Temos sim que buscar novos horizontes e aprender com os melhores, mesmo que isso nos leve a sair do Brasil e a abraçar outra cultura, outros costumes. O mundo pertence aos revolucionários, aos que questionam. O mundo não pertence aos que aceitam as regras!

Outro desafio que existe não só no Brasil, como também no Vale é: a área de computação é um ambiente predominantemente masculino. Sheryl Sandberg, Executiva do Facebook, explica em seu livro “Lean In” (leanin.org) sobre os desafios da mulher no mercado de trabalho Americano e também no Vale. Isso também é um tema super interessante e pode ser abordado em um outro artigo/entrevista.

Pergunta: Qual área ele/ela tem que desenvolver rapidamente antes de pensar em se mudar para o Vale? (Existe alguma coisa que ele/ela pode fazer antes mesmo de vir aos EUA para se preparar melhor para o mercado local? Algum programa, alguma nova tendência – “Agile Development” talvez? –  que possa fazer com que ele/ela tenha uma vantagem competitiva uma vez nos EUA?).

Resposta: A tecnologia muda muito a cada dia. As empresas de informática hoje criam as suas próprias linguagens de tecnologia. Antigamente Java era o segredo, mas hoje em dia não é mais. Saber Java é bom, afinal Java foi o que me trouxe até aqui. Mas a Google por exemplo, não usa Java. Eles usam Python, entre outras linguagens mais nativas. Eu diria que o mais valioso é saber algumas linguagens de programação básicas como Java, Python e Swift, mas o fundamental é entender bem os conceitos de programação e saber criar sua própria linguagem de programação. É isso o que eles esperam dos Engenheiros aqui no Vale. Mostrar versatilidade, flexibilidade e criatividade é fundamental! “Agile Development” é definitivamente algo muito explorado aqui, mas isso é apenas uma metodologia que depende muito da natureza do time. Você não vai conseguir um emprego aqui apenas porque tem no CV um diploma em “Agile Development”. No Vale, eles procuram saber da sua experiência e querem entender o que você pode oferecer, independente do diploma. Isso é diferente no Brasil. No Brasil buscamos funcionários com diplomas de faculdades renomadas. Aqui no Vale do Silício buscamos pessoas que são fenomenais em sua área, que dominam completamente um assunto, indepedentemente da faculdade, curso ou diploma. Conheço alguns Engenheiros excelentes que nem tem diploma de faculdade. O próprio Steve Jobs da Apple e o Mark Zuckerberg do Facebook não terminaram suas faculdades. Isso fala muito sobre a cultura do Vale. Claro que se você hoje mora no Brasil, e está tentando se inserir no mercado de trabalho aqui no Vale, você precisa ter qualificações e especialização, mas isso não é tudo. O que define mesmo se você vai conseguir um trabalho no Vale do Silício é seu desapego à regras e títulos. É preciso arregaçar as mangas, e estar disposto a por a mão na massa! É preciso muita energia e garra. É realmente uma questão de atitude, juntamente com conhecimentos técnicos de metodologias e diplomas. O Vale é um lugar interessante de se trabalhar pois é muito dinâmico, muda muito rápidamente e de forma muito agressiva. Se dá bem aqui quem está preparado a se adaptar rapidamente ás mudanças.

Pergunta: Existe algum curso oline que possa ser feito antes mesmo de mudar-se para os EUA que possa fazer a diferença no CV de um profissional de computação? Alguma coisa que ele/ela pode estudar no Brasil para ganhar tempo e para chegar mais preparado para o agressivo mercado de trabalho do Vale?

Resposta: Sim. Existem vários cursos online que podem ser feitos nas Universidades da Califórnia. É importante termos uma atitude de constante aprendizado com os Americanos e estar aberto à diversidade cultural. Uma formação brasileira não tem o mesmo impacto no currículo, que uma Universidade americana. No meu caso, assim que cheguei na Califórnia, fiz um programa de Gerência de Projetos na Universidade de Berkeley. Isso me ajudou a demonstrar que eu tinha um pouco de experiência no mundo acadêmico Americano. Como os processos são diferentes nos EUA, é importante estar informado sobre como os projetos funcionam aqui. Fazer um curso online antes de vir para os EUA, é bastante valioso. Existem cursos técnicos também que podem ser feitos online nas áreas de programação, segurança, “Agile Development”, UI design, etc. Universidades como a UC Davis, Stanford, Santa Barbara, UMass, Harvard, oferecem esses cursos. Hoje em dia, existem milhões de programas online para estudantes internacionais que você pode explorar.

Última pergunta: Você acha que a melhor trilha é focar primeiramente em “Consulting Firms” (Deloitte, PwC, Accenture, etc…) para depois conseguir um emprego em uma empresa como a Apple, Google, Facebook? Na sua opinião, esse é um caminho das pedras?

Resposta: Depende. A preferência é conseguir entrar nas grandes empresas, mas é difícil… É difícil entrar, e conseguir ficar é mais ainda! Na minha opinião, o importante é estar aberto para empresas de consultoria primeiro, pois elas vão te dar o preparo que você precisa para entrar em uma grande empresa tech. Mesmo se você tem um emprego muito bom no Brasil, é importante estar informado sobre as expectativas salariais no exterior. Devido à transição e por estar começando uma carreira no exterior, o seu salário aqui pode não ser o mesmo. Inicialmente, você vai ter que construir o seu currículo de experiência aqui no Vale. Depois de se adaptar em um empresa de consultoria você vai se sentir preparado para transicionar para as maiores empresas tech do Vale, como Google, Apple e Facebook. Essa foi a trilha da minha carreira nos EUA. Trabalhei 9 anos com Consultoria, inclusive para o Google, mas só recentemente me senti preparada o suficiente para trabalhar na Apple como Engenheira Sr.

Espero que esse artigo tenha respondido à suas perguntas sobre a vida de um Engenheiro no Vale. Se quiser maiores informações, entre em contato com www.internationalcareeradvisors.com ou https://ch.linkedin.com/in/rebeca-gelencser

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